terça-feira, janeiro 10, 2006

Absurdo Quotidiano

O macaco, empoleirado no acordeão em habilidades de papagaio, mendigava uma moeda para o seu animal de estimação: o ceguinho.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Espírito do Sítio

Há mansões fantasma e choupanas risonhas, palacetes austeros e cubículos simpáticos. Afinal, quem repara nos tiques decorativos e nas taras dos moradores quase podia dizer que cada casa é um rosto de gente.

domingo, janeiro 08, 2006

Conversas de Salão

A muralha de palavras, marteladas em tom tonitruante para apagar os timbres que não incomodam a vizinhança, acaba desfeita pela catapulta da razão.

sábado, janeiro 07, 2006

Trim!

Uma longuíssima fila de despertadores, com todos os ponteiros desalinhados, não pode assustar o divertido nascer da noite.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Ressaca com Datas

As borbulhas de champanhe nas ondas do mar embriagam devagarinho a manhã ainda adormecida.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Oscilações

Uma singela lágrima celeste fez estremecer toda a renda solarenga que se foi tricotando nos vagares da manhã.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Tempo Certo

Um pigmento de cinza caiu sobre a manhã, aumentando o trânsito dos guarda-chuvas.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Maldita Surdez

Um clamor de timbres e um coro de gargalhadas adubam a conversa com uma boca cheia de nadas.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

In Sónias

No meio do furacão das ondas de lençol e dos disparos de canhões de comprimidos, o sonhador furou a tormenta daquela noite de pesadelos, sempre com a mente na sua Dulcineia, que, neste nosso tempo, responde pela graça de Vanda ou Sónia.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Micro-urbanismo

A paisagem está repleta de papéis com lantejoulas, fitas escarlates, laços com poalha d’oiro...

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Brilhos Escuros

A lua em forma de batel triunfava no mar negro da noite.

sábado, dezembro 03, 2005

Adornos Naturais

A noite precavida, de gorro bem enfiado, sem saber como, ficou com duas gotas penduradas nas orelhas à laia de brincos....

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Catálogo de Partidas

Partir pedra à picareta, partir a cabeça com uma charada, partir de barco em viagem....

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Zombeteiro Calendário

Manhãs de geada, tardes torradas, sardinhas gordas, suínos esventrados, marés risonhas, neves eternas, filas d’impostos, ordenado dobrado, terças mascaradas, dias de chorar finados, quaresmas e ramadões, flores que amarelam, folhas que acastanham, óculos escuros esquecidos, gabardinas naftalinadas, efemérides a respeitar, santos feriados, mês das cerejas, época das vindimas,natais de cada um, sacramentos por convite, gotas de suor, bátegas de chuva...

quarta-feira, novembro 30, 2005

Traço de Demiurgo

Na ponta do lápis começa o desenho do Mundo.

terça-feira, novembro 29, 2005

Gente d’Outrora

Arrimou o juízo à bengala, retirou o boné das memórias e encomendou um almoço à moda antiga.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Vésperas de Solstício

Definitivamente, o cachecol abandonou o sossego do cabide....

sexta-feira, novembro 25, 2005

Janelas de Desejo

Casario arco-íris, velas ébrias, gargalhadas canoras, escamas prateadas, nacos de memórias, reflexos d’oiro, esboços de sonhos – afastar a cortina e mirar o rio...

quinta-feira, novembro 24, 2005

Traço & Acaso

O lápis livre arabesca labirintos.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Doçarias

Uma singela camada de pó de canela vai adoçar aquelas esverdeadas pupilas...

domingo, novembro 20, 2005

Vento Limpo

A dança das árvores vai varrendo as ideias erradas da paisagem…

sábado, novembro 19, 2005

Cálice d’Intempérie

As agulhas de chuva tricotavam brilhos no pátio espelhado.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Crono-Fobia

Temendo a fuga das horas, levava sempre um relógio de parede incrustado na mala de viagem.

terça-feira, novembro 15, 2005

Musas Mudas

Só escrevia de forma inspirada quando estava apaixonado ou deprimido....

segunda-feira, novembro 14, 2005

Exagero Publicitário

A negra silhueta do touro recortada contra as nuvens da paisagem não era prenúncio de qualquer tauromaquia celestial....

sexta-feira, novembro 11, 2005

Sem Asas

Um cisne iluminado na parede, uma dúvida que pousa no espírito, um bule de porcelana quebrado. Em suma: uma trindade kitsch.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Folha Vazia

Uma moeda sem cara, uma lâmpada fundida, um rasgão em forma de roupa, uma voz sem palavras, uma caneta de tinta branca – eis um ténue fio de nada.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Gente Colorida

Um grão de canela na pele, um tom de palha no cabelo, um morango nos lábios... A beleza – como a inteligência! – ignora os conceitos de raça e de bandeira.

domingo, novembro 06, 2005

Surdos Funcionais

O cachimbo a fumegar ideias inteligentes encharcou o salão de palavras sábias. Mas o ronronar pesado das conversas miúdas inundou quase todos os tímpanos com a cera própria deste tempo.

sábado, novembro 05, 2005

Torre de Controlo

Um olhar com asas, um jacto de luz, um pavão de pedra – e um manto de nevoeiro a cobrir o aeroporto...

sexta-feira, novembro 04, 2005

Almas Inquietas

Um reflexo de prata, uma nódoa de café, um pingo de tinta – há sempre qualquer coisa a manchar a alvura do dia.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Binóculos de Camarote

Uma vez por outra, nem que seja por engano, apetece mirar o longe e ver o horizonte com um qualquer rasgão divertido.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Imperativos da Física

Um fio escarlate de silêncios rebenta uma frágil bolha de memórias.

terça-feira, novembro 01, 2005

Extravagante Coleccionismo

Com tantos cromos despreocupados a passear nas ruas e nos becos e nas praças só falta mesmo aparecer por aí o meticuloso dono da caderneta.

Trivialidades

Um fumegar de castanhas, um pelicano maçónico e um prateado de lua.

segunda-feira, outubro 31, 2005

Inútil Kant

Uma angústia de caracóis minúsculos, que se exprime num sorriso de anjo barroco ou em lágrima gorda como pérola, depressa extermina argumentos cartesianos, razões kantianas, certezas saloias.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Vendaval d’Ideias

Enquanto penteava as ideias ao vento perdeu o pente da memória....

quinta-feira, outubro 27, 2005

Saídas da Ostra

Smokings à antiga, bustos balzaquianos, silêncio de calar mosca atrevida. De súbito, como se um granizo nas vidraças apagasse os chopins de salão, a pianista interrompeu o recital. As jovens pérolas, que fugiram do colar, saltitavam agora pelo marfim das teclas.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Época das Gotas

Em plena cavalgada de nuvens pardas, plúmbeas, pretas alguém deixou cair uma ingénua gota de verde...

domingo, outubro 23, 2005

Manias Avulsas

Aspergia a mesa com gotas de champanhe antes de estender a toalha, como se a baptizasse para cada banquete.

sábado, outubro 22, 2005

Espelho Defeituoso

O sujeito passou o serão a segredar à sua própria sombra.

Fiat Lux

Clarificaram a copa das árvores ao correr da noite, indiferentes à luz do sorriso de todos os palhaços divinos.

Fiat Lux

Clarificaram a copa das árvores ao correr da noite, indiferentes à luz do sorriso de todos os palhaços divinos.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Centro de Mesa

Plantaram uma cerejeira no centro de uma mesa de jantar para, na estação propícia, poderem trautear Le Temps des Cerises...

terça-feira, outubro 18, 2005

Cefaleia Comum

Leões que cospem pragas aziagas como se fossem vulgares jactos de água, girassóis que espetam lapelas para machucar a alma, palavras sem dicionário que nos comem a orelha. Em suma: uma trovoada na testa.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Fruta d’Época

Enviaram-me uma romã para o telemóvel. Mas não posso provar essa metáfora outonal. Só aprendi a trincar, entre duas chamadas, fruta às fatias, aos gomos, às talhadas.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Olhos Sedentários

Quando aquela pestana abandonou a pupila para se lançar numa viagem solitária pelos caminhos da Mancha nunca imaginou os riscos que corria: uma repentina rajada de vento era bem capaz de a atirar até Ítaca; um traiçoeiro jacto de mangueira era suficiente para a fazer mergulhar em busca da Atlântida.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Anatomias Musicais

Uma linha de sax tão pouco ondulada como uns seios de escultura pequena, um coro de sorrisos que segue as notas saltitantes de uma pauta alegre, uma colecção de andares que se movem com a convicção do piano bem martelado. Surgirá daí alguma melopeia que mereça girar em forma de CD?

quarta-feira, outubro 12, 2005

Breton-adas

Uma catedral adornada com pérolas salgadas, um mar de caracóis femininos a perturbar o sossego das sereias e uma floresta de árvores com peixes-folhas – como se toda a frase se pudesse escrever numa singela escama de prata.

sábado, outubro 08, 2005

Almanaques

"Estes católicos. Gente de almanaques e proibições."
(Guillermo Cabrera Infante)

Isolamento

De súbito, ficamos na companhia duma vastidão de ninguéns.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Fragrâncias Nocturnas

Uma brisa de cannabis perfumava a praça feita de piercings decotados e de tattoos musculosos.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Tricolor

Um telhario vermelho, um esverdeado de ramos e, depois, um azul marinho. A multidão de gaivotas, pousada diante da linha de espuma, parece aguardar um certo cargueiro ou um qualquer paquete.

domingo, outubro 02, 2005

Obsessões

Uma filigrana d'erro ofusca a joalharia d’elogios.

sábado, outubro 01, 2005

Saudades de Sonhar

Por vezes, os lençóis assentam tão levemente sobre a brevidade do sono que quase nem se sente o cheiro da almofada.

sexta-feira, setembro 30, 2005

Tinta Mágica

O aparo, ao comandar o pulso, esboça barbatanas de peixes que mais parecem pássaros, rostos com fechaduras de porta, nacos de cidade que até espantariam Calvino.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Intranquilidades

Nervos eriçados, como se fossem músculos de gato, escrevem o quotidiano numa caligrafia tão pouco firme que até parece saída dos distantes bancos d’escola.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Era Uma Vez

Umas abelhas búlgaras, que recusavam debruçar-se sobre os tabuleiros dos xadrezistas de jardim, zumbiam em cirílico por cima do almoço.

Pinturas Anónimas

Riscaram o céu com branco de nuvens – o mesmo tipo de gesto com que se pintam laranjas nas árvores do pomar.

domingo, setembro 25, 2005

Manias de Biblioteca

“Passo pelos longos corredores, de cima a baixo os livros nos seus túmulos. São milénios de balbúrdia, tagarelice infindável, filósofos, investigadores, poetas, doutores da Igreja, moralistas, juristas, políticos, algaraviada infernal, interminável algazarra através das eras – estão imóveis nos seus túmulos irrisórios.”
(Vergílio Ferreira)

sábado, setembro 24, 2005

Miniatura Óptica

Um farrapo de nuvem entra na pupila e esconde o brilho da manhã.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Andorinha Andarilha

Arribar. Partir. Por vezes, sorrindo...

quinta-feira, setembro 22, 2005

Homem de Mármore

Um longo fio de horas em pé, esperando por um Godot qualquer, confunde a silhueta estática com a rígida estátua vizinha.

terça-feira, setembro 20, 2005

Palavras Poderosas

Na franja do lençol, em caligrafia garatujada, uma pequenina bruxa enxota-nos os sonhos matinais.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Evidências

A beleza de um riso dispensa adjectivos.

Borracha Urbana

Afundaram um automóvel de colecção num aquário seco de peixes com a mesma facilidade com que se risca uma palavra mal escrita em folha de papel.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Impressões Digitais

“As suas mãos esguias, delicadas e nervosas fazem pensar no póquer ou na roleta,mas também em sapientes contactos com porcelanas, pergaminhos, instrumentos musicais, e com meias femininas, sedas, rendas e fechos duros de colares.”
(Fruttero & Lucentini)

Asas Sossegadas

No tapete de águas verdes, como se a realidade imitasse o mar plástico de Fellini, e perante a alheada atenção das casas vestidas de pijama, a gaivota empoleirada num mastro parecia meditar sobre Veneza.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Luares

Curiosa como pupila infantil, a lua espreitava os pensamentos que andavam a passear pela varanda...

quarta-feira, setembro 14, 2005

Dourados Dias

Entardecer d’ouro num’alma plúmbea.

Fantasia com Fiama

Embarquei um verso da Fiama num eléctrico com carris que pisavam uma lua feita de pautas e toda a hera que canta nos jardins.

domingo, agosto 28, 2005

Nódoa Branca

As palavras esqueceram-se de chegar ao aparo da caneta...

sábado, agosto 27, 2005

Maniento Galicista

Saboreava, com imensos requintes, umas singelas maçãs da terra.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Jardim de Especiarias

Uma gota de solidão a temperar a sopa.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Insónias Marinhas

Os lençóis da cor do mar agitam ondas de ideias, espumas de projectos, tempestades de pesadelo, até a exausta lua assentar, definitivamente, a bonança do sono.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Brincos com Música

Nem uns brincos em forma de sax com som agrediriam tanto os tímpanos como os músicos daquele botequim.

terça-feira, agosto 23, 2005

Vagabundo Agrilhoado

Um avião com tamanho de fósforo voa quase cego em torno da lâmpada central. Faz de conta que a sua rota saltou da geografia para se anichar nos desejos adiados de um qualquer vagabundo agrilhoado...

segunda-feira, agosto 22, 2005

Vidros Quebrados

“Porque o deserto tem de tempo a areia entornada de milhões de ampulhetas partidas”
(Hermínio Monteiro)

Tradição vs Tradução

O mar ficou com um horizonte difuso na tão matinal como vernácula névoa atlântica. Até parece que também se vão esfumando as palavras no seu incessante trânsito entre as línguas mortas, os dialectos moribundos e os idiomas triunfantes.

terça-feira, agosto 16, 2005

Ampulhetas Agitadas

As horas nem sempre cabem inteirinhas nos ponteiros do relógio...

domingo, agosto 14, 2005

Cliché de Mestre

Esticado à sombra, apenas... Na pose daquele corpo feminino que Alvarez Bravo, ao conceber “La buena fama durmiendo”, deitou ao sol.

sábado, agosto 13, 2005

Fantasias

O sujeito era um pé descalço em plena sapataria da inteligência.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Costumes em Desuso

“(...) um doutor lhe fez sua arenga costumada e os oficiais lhe apresentaram as chaves em um bacio de prata.”
(Gaspar Correia)

Visões & Ilusões

Encostado ao fundo, qual veleiro sem âncora pintado numa parede, descortino o vulto antigo, como se Lawrence Ferlinghetti estivesse ali de atalaia à porta, a conferir os jovens decotes femininos, os hirsutos penteados dos rapazes, a garabulha de vozes que silencia telemóveis, a sucessão monótona das bebidas louras, a desordem das cadeiras...

quinta-feira, agosto 11, 2005

Antigos Ecos

Um sopro, um assobio, um chilreio – qualquer coisa me traz de volta a silvestre melodia...

quarta-feira, agosto 10, 2005

Olhares Míopes

No meio da algazarra, como se fosse um improviso de jazz, uma pupila vadia brilha mais que a lua nova.

terça-feira, agosto 09, 2005

Resquício de Conrad

“Mas trago notícias de como é que está no ‘coração das trevas’, nas fronteiras do vaivém, nos túneis da precaução, nas rotas da má lembrança, e da boa, também, se às vezes fecho os olhos e é o mesmo, o cheiro, e eu tinha então vinte anos e andava a ver se encontrava a ponta do meu fio, na meada.”
(Ruy Duarte de Carvalho)

Absurdas Rimas

“As muçulmanas”, indagavam uns inocentes caracóis ao repararem na proliferação de cabelos escondidos e rostos velados, “são diferentes de nós, as humanas?”

segunda-feira, agosto 08, 2005

Misterioso Verde

“Os ambulantes transportam as suas cargas mágicas dos mais diversos objectos de vertu, desde os macios tapetes de Xiraz e do Balochistão até aos baralhos de cartas de Marselha; incenso de Hedjaz, contas verdes contra o mau-olhado, pentes, sementes, espelhos para gaiolas, especiarias, amuletos e leques de papel... a relação seria infinita [...].”
(Lawrence Durrell)

Moreno Verão

Loucas lantejoulas, farrusca floresta, sol d’incêndio!

domingo, julho 17, 2005

Intervalo

Partir!!!
A única palavra que, agora, interessa...

Medievalices

“É uma época que, mais do que qualquer outra, nos aparece marcada pelas suas brancas roupagens de igrejas repletas de esculturas, mosaicos ou vitrais multicolores, ourivesarias cintilantes, livros coloridos com iluminuras, marfins esculpidos, enormes portas de bronze, esmaltes, pinturas murais, tapeçarias, bordados, tecidos de variadas cores e com desenhos singulares e quadros pintados em fundo de ouro.”
(Enrico Castelnuovo)

sábado, julho 16, 2005

Sábia Ignorância

Fundiu-se o fusível. E o neurónio adormeceu…

sexta-feira, julho 15, 2005

Culto d'Absurdos

Marcar encontro com um qualquer sorriso antigo numa viela parda da memória.

quinta-feira, julho 14, 2005

Relógio Curto

Travar a ampulheta, ludibriar o calendário, inebriar a cronologia – tudo tarefas frustradas!
E, no entanto, escasseia sempre tempo para o labor, para o prazer, para a leitura, para a preguiça...

quarta-feira, julho 13, 2005

Foxtrot

As luzes mais louras quebram-se no rio pintado de escuro como se fossem palavras escritas com um qualquer dançante bâton transparente.

terça-feira, julho 12, 2005

Gralhas

As silhuetas das garrafas, as memórias das granadas, as vozes que ficam gravadas...
Tantas gravatas!

segunda-feira, julho 11, 2005

Distâncias

O clássico fio telefónico não sabe cantar sorrisos em pequenas pupilas ébrias de alegria.

segunda-feira, julho 04, 2005

Lento Horizonte

O navio que está a pisar o horizonte azul anuncia-se tão lento perante o nosso olhar como se, lá ao fundo, o comandante perseguisse, obstinado, qualquer preguiçosa tartaruga...

sexta-feira, julho 01, 2005

Azul-Vermelho

"Azul... a Terra?
Não! Vermelha... da cor da guerra!"
(grafitti)