terça-feira, março 25, 2008
Eróticos Horizontes
Mirava os longes em lentos vagares, como se um fio d’ouro brilhasse na pupila da memória. E todas as ilhas em que tardava o olhar deliciado lhe recordavam delicados seios femininos.
quarta-feira, março 19, 2008
Rumores de Rumo
Zodíaco apagado, bússola em riste, memórias olvidadas, riscava na mão zíngara outra linha da vida.
sexta-feira, março 14, 2008
Al-Senhora
Sábia alma solitária, aclamava aqueles murmúrios de seda e, depois, acalmava aquela multidão solidária.
terça-feira, março 11, 2008
quarta-feira, março 05, 2008
Teia d’Onomatopeias
Embalava os quotidianos com um ping-ping, baloiçava as viagens com um zás, despertava os sonhos com um trim.
segunda-feira, março 03, 2008
Manias d’Água
A metódica Maria Noite mangueirava tudo o que lhe surgia à frente d’água: bois de porcelana, cotovelos eléctricos, conversas afegãs, esculturas d’África, suores frios, músicas de filmes, cervejas belgas, frases d’Eça, pistas de esqui, seios nus, lágrimas avulsas, molduras barrocas, cabelos d’ouro, bules de chá, aromas eróticos e, sobretudo, o Manel Alvorada.
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Homem-Barómetro
Em calendário de invernia e cinza, escondia o ruidoso duche das nuvens com dourados risos enxutos.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Tempo de Teatro
Detinha-se em qualquer bizantinice que lesse, fosse a palavra Abraxas ou o significado de Zohar. E, com a leveza da sua ignorância, encenava uma espécie de teatro sem tempo.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
quinta-feira, janeiro 31, 2008
terça-feira, janeiro 29, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008
terça-feira, janeiro 15, 2008
Eterna Heresia
Condensando a brevidade do raciocínio em jeito de versículo solto, de praga cuspida, o moderno goliardo proclamava em voz de taberna, em timbre de templo: se acreditasse no divino viveria eternamente.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Fintar Destinos
Molhados, irritados, atrasados, faziam sinal, mas o autocarro, vazio de gente, não se detinha na paragem. Os passageiros discutiam. Havia quem jurasse ter visto as coisas mais bizarras: fogareiro e frigorífico, colchão e cadeiras, leite e livros, guarda-chuva e secador de cabelo, gato e gaiola...
O motorista tinha desviado o 59 para mudar de casa!
O motorista tinha desviado o 59 para mudar de casa!
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Cinemas d’Olvido
Pirâmides de sal em paisagem de memória, como se as juntas de bois lavrassem o passado, as redes a remos pescassem o antigo...
terça-feira, janeiro 08, 2008
Fé e Fumo
Uma multidão de gente pura: fariseus bíblicos e talibans destes tempos, beatas de sacristia e histéricas dos ginásios, bufos desempregados pela extinção das polícias políticas, varredores de piriscas e farejadores de incenso, cocainómanos de pulmão limpo e motards de escape livre, negociantes de véus e de burcas, bufarinheiros de santinhos e fanáticos do jogging ...
E, no entanto, ninguém o impedia de mergulhar na sua desejável, confortável, agradável nuvem de nicotina.
E, no entanto, ninguém o impedia de mergulhar na sua desejável, confortável, agradável nuvem de nicotina.