Relia relatos de velhos viajantes sobre as areias do dromedário e acerca das renas da estepe. Conferia as rotas dos mapas antigos em novíssimos atlas ilustrados. Abstraído com qualquer atol do Pacífico, com certo trajecto andino, com um obscuro museu d’Europa, nem reparava na colecção de bússolas que adornavam estantes baratas e mesas de plástico.
E, qual Xavier de Maistre de menos humor, saciava o desejo de viagem andando apenas às voltas no seu quarto.
quarta-feira, julho 02, 2008
quarta-feira, junho 25, 2008
Voltar a Partir
Folheava o filme das férias. Detinha-se naquele jardim de desenho francês, num paladar silvestre d’amoras, em risonhas máscaras carnavalescas, num sinfónico chilreio matinal, na decadente fidalguia dum solar, num guevarista d’outrora, numa igreja erguida fora do mundo, em poentes d’horizonte, num bizarro cantar polifónico, na noite rasgada a foguetes lacrimejantes. E sorria com as memórias, os amores, as miragens...
segunda-feira, junho 23, 2008
Ninguém Repara
Coleccionava um absurdo a cada dia, como se fosse uma fantasia d’artista: conduzia uma limusine pelas mais estreitas vielas ou dançava nas discotecas numa cadeira de rodas.
sexta-feira, junho 20, 2008
Interlúdio do Solstício
A manhã mergulhara já em puro ouro, como se os azuis fossem apenas pálidos e o vermelho quase suave. Até a memória parecia cegar com tal brilho matinal. Então, decidiu hibernar toda a tarde e esperar pelo crepúsculo para pesar passados e medir futuros.
terça-feira, junho 17, 2008
segunda-feira, junho 16, 2008
segunda-feira, junho 09, 2008
Cosmopolita Lusitano
O seu remetente postal, nos tempos pré-Net, mudava de continente com o mesmo desprendimento com que as estações percorrem o ano. E, no entanto, esquecendo a sua afeição por isqueiros d’ouro e relógios de família, podia dizer-se que só coleccionava um vício: olhar tranquilo para o transparente céu português.
quarta-feira, maio 28, 2008
A Dor das Palavras
Há palavras cor de jade e com um perfume de violetas; outras tão doridas como círios fúnebres.
segunda-feira, maio 12, 2008
Música d’Época
Na memória da grafonola melancólica, cantados Maios d’ontem e vindouros hinos d’Agostos.
terça-feira, maio 06, 2008
segunda-feira, maio 05, 2008
quarta-feira, abril 30, 2008
Visitar Aniversários
Naquela encruzilhada de vozes, sempre a rir d’ontens e d'iates, de santas de museu e de sabores d’áfricas, rompia, de repente, uma escura pupila meiga.
segunda-feira, abril 28, 2008
quinta-feira, abril 17, 2008
segunda-feira, abril 14, 2008
sexta-feira, abril 11, 2008
quinta-feira, abril 10, 2008
Perfeita Pronúncia
Quadros e quintas, chávenas e colheres, cartas e canetas, francos e florins, linhos e bilros, lentes e lunetas, gravatas e grafonolas, dívidas e dúvidas…
O testamenteiro não falhou palavra.
O testamenteiro não falhou palavra.
terça-feira, abril 08, 2008
segunda-feira, abril 07, 2008
terça-feira, abril 01, 2008
Bucolismo d’Época
Uma nuvem branca, uma sugestão d’automóvel, um aroma silvestre, um mar d’espantalhos, um chilrear longínquo...